As horas não
passavam, o senhor Tempo estava preso na ansiedade daquele jovem de pensamento
errante. Já tinha planejado cada detalhe, as palavras que diria, onde deixaria
a moto, o que falaria para seu recém conquistado amigo, um cão Rottweiler que outras vezes tinha
denunciado sua chegada. Mas já eram amigos, graças aos petiscos jogado ao chão
e logo depois um carinho em sua cabeça, o animal estava carente, carente também
estava sua dona. Uma distinta dama, de longas madeixas e um sorriso discreto, porém
cativante. O flerte vinha acontecendo há meses, o jogo da sedução feito com
seriedade é um jogo gostoso de se jogar que só os amantes desta arte milenar
valorizam cada pedra colocada no tabuleiro, feito xadrez que vai se
desenvolvendo de tal modo que a adrenalina sobe ao ponto de não se ver mais
nada além da chance de um xeque-mate.Assim os dois
viviam caminhando no fio de uma espada samurai, ela comprometida com o lar e a
sociedade, ele com a vida de galã que ama conquistar para amar. Dois seres de
vida antagônicas, no entanto unidas pelo desejo de viver o “erro” de querer
acreditar que o destino não é maktub. Na penumbra da noite mais um encontro
clandestino iria acontecer, tais quais todos os outros, todavia nem sempre o
igual será igual.
Parou a
motocicleta a uma distância segura, colocou a mesma em volta aos galhos de uma
moita próxima, o restante do caminho faria a pé. O trajeto já era conhecido e
para ele servia para ensaiar consigo mesmo cada passo que daria no terreno
hostil que sua mente criava como sinal para lembrar que tudo aquilo era um
perigo que não valia a pena. Neste diálogo entre anjo na direita, diabo na
esquerda seguia. Encostou a mão próxima a boca, conferiu seu hálito, tirou mais
uma bala, tirou também o chinelo, coração acelerava como se os passos fosse uma
corrida de 100 metros.
Abriu
cuidadosamente o portão que já conhecia o segredo, o cão amigo logo chegou e,
sem latir, mas com os olhos atentos cobrou os petiscos para permanecer em
silencio, após receber, não abanou o rabo, pois não tinha, no entanto rolou no chão
numa cumplicidade safada que só os dois conheciam. Andou mais alguns passos e
parou de maneira súbita, sangue paralisou e, logo, sentiu um frio em sua
espinha. Não podia ser, não estava acreditando, tudo tinha sido planejado de
maneira perfeita, embora soubesse que nesta história não há resultados exatos.
Olhou mais uma vez para ter certeza do que via e lá estava ela tão branca como
seu rosto e tão significativa como o pão e o vinho.
Deu dois
passos para trás, abriu o portão e saiu sorrateiramente. Havia uma toalha na
janela. Sinal de que ele, o outro, na verdade o dono da casa, pois ele era o
outro, estava no recinto. A noite não seria de amor, mas sim, de planos
afogados em lagrimas de um homem que estava vivendo o que o sexo masculino não
sabe viver, apaixonar-se.
Mara de Maravilhoso👏👏👏❤
ResponderExcluirMeu amigo que dom. 😍😍😍😍
ResponderExcluirMeu amigo que dom. 😍😍😍😍
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