Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Eu
tive infância e, das boas, recheada de aventuras, de travessuras, coisas
ocultas, de descobertas e, claro, de traquinagens. Pulei o famoso muro das
irmãs para roubar frutas, atirei e matei no pirão (me recuava a morrer), fui
polícia, mas também fui bandido, passei no caminho do inferno (chorando, mas
passei). Roubei bandeirinha, fui pego na pira, salvei a galera na mancha e
segurei para quebrar um galho a saladinha para as meninas (nunca pulei, só
escondido). Fui melancia, fui caba, fiquei no céu, no inferno e no purgatório.
Boca de forno, jacarandá... tempos bons, saudade faceira que desfila na mente
igual paixão adolescente (essa parte melhor pular).
Nos
poeirinhas da vida fui craque, marcador de gol. Também fui nos baixos tirar pau
para fazer as traves, peguei peixinho no pulsar para colocar no tanque. Fiz
caçada no campo do Batista atrás de Caga-terreiro e de manga verde com sal
escondido na dobra do calção, pois cueca era luxo de menino rico. Me aventurei
depois do cemitério para beber água de coco e matar rolinha para comer feito
farofa com resto de arroz do almoço.
Na
escola chegava uma hora antes para jogar bola, brincar da pira e chegar na sala
puro urubu molhado. Na peteca e no pião era veleiro e donos de muitos
terreiros, saia de casa com quatro e voltava coma camisa cheia, mas também fui
alelado de ter que tomar emprestado. Nunca gostei de papagaio, mas ainda
arrisquei por folia, mesmo não levando jeito. No final da tarde ficava no
barranco, na beira da escada esperando o batelão que vinha de Cruzeiro só para
ver se meu pai trazia pão.
Não
fui de festa, mas acordava na madrugada para ir no Clube do Noé ou no Clube
Anos Dourados para juntar figurinhas de chiclete para duelar de bate-bate no
intervalo. Lacei boi alheio, só por aventura, fiz boi chorar para simplesmente
bolar no chão de rir (pegava um bagaço de laranja e enchia de pimenta malagueta
e dava para o animal comer, era malvadeza, mas para nós divertimento garantido)
Assisti
em preto e branco minhas primeiras novelas Pantanal e Ana Raio e Zé Trovão
novelas de família. Conheci o Jaspion, Flashman, Jiraiya, Changeman, Black
Kamen Rider, Jiban e outros, mas foi no Chapolin Colorado e no amigo Chaves que
encontrei a felicidade na TV.
Para
finalizar esse mergulho saudosista vou na Cunha Vasconcelos, minha primeira escola,
minha primeira professora tia Genir, também estudei com a professora Ivanilde (ensinava
nós a chiar kkkk), levei uns gritos do mestre Jeremias e me apaixonei pela
doçura da professora Dalva. E como numa magica estava no ginásio com um monte
de professores e matérias que nem sabia que existiam e, assim, me desencantei
pela escola e me apaixonei pelos livros e pelas meninas (risos). Fui palhaço de
circo (inclusive fugi com um circo), comecei a namorar e a vida deu uns pulos e
logo já estava adulto com contas nas mãos, uns bruguelos me chamando de pai e
uma mulher dizendo não coloca roupa no chão, o que eu encontrar jogado no meio
da casa vai para lixo. Mandei o mundo parar pois queria descer, no entanto não parou.
Pensei foi castigo por roubar mais o Elvis e o Alexandre as hostis do Padre
Pedro na hora de tocar o sino e ler os recados na boca de ferro.
O restante
vai ficar para uma próxima escrita. Se você também viveu a velha e boa infância
interaja com o blog e vamos mergulhar no mundo mágico da saudade, pois é a única
coisa que nos resta.

Excelente meu amigo, muitas dessas aventuras pude viver e seu texto me fez voltar um pouco no tempo. Que saudades...!!!☹️☹️
ResponderExcluirVi minha infância toda nesse texto (rsrsrs)
ResponderExcluirExcelente conteúdo, me fez mergulhar (soltar umas lágrimas rsrsrs) no meu passado.
Parabéns!!!👏👏👏👏
Sabe amigo...somos ainda fruto de uma geração (passada, talvez) que ainda brincava, corria, sorria, conversava, contava piadas, rodinhas de amigos...coisas tão raras no mundo de hoje....infelizmente sinto que a era da tecnologia roubará cada vez mais esses momentos tao incríveis. Lindo seu texto....Casemiro de Abreu realmente derramou saudades ali...ABRAÇOS!
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